18/04/2005 03:55
é no canto mais escuro que escrevo
é no oculto de meus olhos fechados
é na sombra insuspeita que me acompanha
de hoje não sobraram palavras
nos alimentamos mudos
cada qual na sua lembrança
tentando enloquecer o mais depressa possível
mastigando o resto da esperança de afeto
como na espectativa do aborto do sonho
não há espaço para o figmento
e o estro vai se esfumando lento pelo cigarro sem filtro
levando consigo o poeta às nuvens
deixando que homem adormeça seu medo
ouvindo o delírio da febre no leito vizinho
e ignore o auxílio merecido das almas
nem extrema-unção
nem boa noite
não nos sobraram palavras
temos pedras na boca
e uma lagarta que conspira em não ser borboleta
estamos vazios
sem flores
.
do cárcere 01:45
ps.............................................
enviada por Cárcere
16/03/2004 02:36
do cárcere lar que apreendi amor
longe em solitária ter fui
por mudar o que mudança não podia
por tentar contra vontade do meu bispo
e não na torre como sonhara monástico
fui ter cavalgadura longínqüa
perseguir para meu rei o cálice
trouxe embora tarde a taça
tive a recompença muda
de uma população em pranto
tombado o governante justo
voltei para meu canto no coro
voltando o meu olhar de nesga
para o vale meus pés sulcaram
não tardei acortinar o dia
no escuro me refugiei completo
hoje essa epístola leva
o que o pranto não me lavou na alma
ps: do cálice forjei a persona de aço
que me oculta o o rosto
das sobras terço que debulho
rememorando
Meyson
enviada por Cárcere
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